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Reler a própria trajetória: o caso de Zirlande Amaral e o mito do recomeço do zero

Publicado em 27/10/2026 · 6 min de leitura

Por Dra. Gicelli Paixão

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Não, você não precisa recomeçar do zero para crescer. Na maioria das vezes, o próximo passo vem de reler com outros olhos o que você já construiu e de conectar esse repertório ao Direito aplicado, à estratégia e a boas ferramentas. Foi isso que aconteceu com Zirlande Amaral, profissional com mais de 25 anos de experiência em Saúde e Segurança do Trabalho (SST). Neste artigo, a gente separa o mito da verdade e usa a história dela como exemplo concreto.

Mito: "para crescer, preciso recomeçar do zero"

Quem tem anos de estrada costuma chegar a um momento de inquietação. A rotina funciona, os resultados aparecem, mas bate a sensação de que dá para ir além. E aí surge o pensamento: "talvez eu precise mudar tudo, abandonar o que fiz e começar de novo".

Esse pensamento é compreensível, mas costuma estar baseado em um diagnóstico errado. Ele confunde duas coisas diferentes:

  • falta de experiência, que se resolve com tempo e prática;
  • falta de perspectiva sobre a experiência que já existe, que se resolve com novas conexões.

Quando o problema é o segundo, recomeçar do zero é jogar fora justamente o ativo mais valioso que você tem.

Verdade: o que muda é a leitura da bagagem

A verdade é mais simples e menos dramática. Crescer, muitas vezes, não exige abandonar a trajetória. Exige enxergá-la de outro ângulo.

Experiência é matéria-prima, não ponto de partida zerado

Cada caso que você acompanhou, cada cliente que atendeu, cada rotina que dominou é matéria-prima. O que transforma essa matéria-prima em autoridade é a forma como você a conecta ao Direito aplicado, à estratégia e às ferramentas disponíveis hoje.

Sem essa conexão, a experiência fica guardada, útil só para quem a vive por dentro. Com ela, passa a ser percebida e valorizada por clientes, empresas e colegas.

O que costuma faltar é perspectiva

É comum o profissional ter conhecimento, dedicação e anos de prática e, ainda assim, não enxergar todas as possibilidades de aplicação do que sabe. Não é falha de competência. É um ponto cego natural de quem está imerso na própria rotina.

A história a seguir ilustra isso muito bem.

O caso de Zirlande Amaral: 25 anos de SST e uma dimensão que ela não via

Zirlande atua há mais de 25 anos na área de Saúde e Segurança do Trabalho. Ao longo desse tempo, acumulou experiência prática e conviveu de perto com as Normas Regulamentadoras, presentes no seu dia a dia profissional.

Pelo critério clássico, ela já era uma profissional experiente. Mesmo assim, o relato dela mostra que a trajetória ainda tinha espaço para ganhar uma nova dimensão. Vamos aos pontos principais.

Ponto 1: experiência sólida, com um ponto cego

O primeiro ponto é o mais revelador. Zirlande tinha base prática consistente, mas havia algo que ela não compreendia plenamente: a importância e o potencial do trabalho do advogado dentro da SST. Nas palavras dela:

“Embora já tivesse uma sólida experiência prática, não compreendia plenamente a dimensão e a importância da atuação do advogado em SST.”

Repare: ela não estava "atrasada" nem "começando". Tinha 25 anos de bagagem. O que faltava não era apagar a trajetória construída, mas ampliar a perspectiva sobre ela.

Ponto 2: conectar o que já sabia a novas formas de atuação

Zirlande conheceu a Dra. Gicelli Paixão por meio do Pitadas de Direito. Primeiro, fez o curso de SST para Advogados e, depois, participou da mentoria. Durante essa jornada, passou a entender melhor como o advogado pode atuar de forma estratégica na SST, agregando valor real a clientes e empresas.

O ponto central não foi acumular um conteúdo totalmente novo. Foi conectar o conhecimento que ela já tinha a novas formas de atuação. Ela mesma destaca:

“A Dra. Gicelli me mostrou o quanto o advogado pode ser estratégico dentro da SST, agregando valor real aos clientes e às empresas.”

O resultado foi duplo: ela passou a reconhecer oportunidades que antes não via e a valorizar a força da própria trajetória.

Ponto 3: ferramentas que deixam a rotina mais estratégica

A mudança de perspectiva também veio acompanhada de prática. Um dos aprendizados que mais chamaram a atenção de Zirlande foi a aplicação da Inteligência Artificial na advocacia. Antes, ela não tinha dimensão de quanto a IA poderia otimizar o trabalho e ampliar a produtividade.

A abordagem prática e acessível da formação permitiu incorporar essas ferramentas à rotina. Veja que, de novo, ninguém pediu que ela largasse o que sabia. A ferramenta entrou como reforço da experiência, não como substituta dela.

Ponto 4: autoridade e um artigo em coautoria

Os resultados dessa jornada se tornaram concretos. Zirlande relata que escreveu um artigo em coautoria com a Dra. Gicelli Paixão, e o texto já foi publicado. Para ela, isso mostra o quanto o processo contribuiu para o seu crescimento profissional.

E o relato dela sobre a própria percepção de autoridade é direto:

“Hoje, tenho uma autoridade na área que antes não possuía.”

O detalhe que sustenta o nosso argumento: a autoridade nasceu da trajetória de mais de 25 anos, vista com novas lentes. Não nasceu de uma carreira reiniciada.

Vale a ressalva de sempre: a história é um relato individual. Ela ilustra um caminho possível, mas não garante que o mesmo resultado aconteça para todo mundo.

Como reler a sua trajetória com outros olhos

Se o mito do recomeço do zero está pesando na sua cabeça, experimente trocar a pergunta. Em vez de "o que eu preciso abandonar?", pergunte "o que eu já sei que ainda não estou aproveitando?".

Cinco perguntas para fazer hoje

  1. Que conhecimento prático eu uso todos os dias sem perceber que é um diferencial? Muitas vezes o que parece "óbvio" para você é raro para quem está de fora.
  2. Onde a minha experiência encontra o Direito aplicado? Procure o ponto de encontro entre o que você vive na prática e a forma como isso se traduz em estratégia jurídica.
  3. Que problema real do cliente eu consigo resolver melhor por causa do que já vivi? É aqui que a bagagem vira valor percebido.
  4. Que ferramentas poderiam tornar a minha rotina mais produtiva? Pense em apoio à sua experiência, não em substituição dela.
  5. O que eu sei e ainda não transformei em conteúdo, material ou parceria? Produzir conhecimento a partir do que se vive é uma forma de ampliar a participação profissional.

Não há resposta certa. O exercício serve para tirar o conhecimento do piloto automático e enxergar o conjunto da obra.

Perguntas frequentes

Mudar de posicionamento significa abandonar o que eu fazia antes?

Não necessariamente. Mudar de posicionamento pode significar apenas comunicar e aplicar melhor o que você já sabe, em um contexto onde esse conhecimento gere mais valor.

Quem tem muitos anos de experiência ainda precisa estudar?

Sim, mas o objetivo do estudo muda. Em vez de começar do básico, você busca conhecimento aplicado, troca de experiências e visão estratégica para conectar o que já domina a novas possibilidades.

Como saber se o meu problema é falta de experiência ou falta de perspectiva?

Se você já domina a rotina, mas sente que não enxerga todas as formas de aplicar o que sabe, o desafio provavelmente é de perspectiva. Foi esse o caso descrito no relato da Zirlande.

Conclusão: ampliar a perspectiva também é crescer

O mito diz que crescer exige começar de novo. A verdade é que, muitas vezes, crescer exige olhar de outro jeito para o que você já construiu. A história de Zirlande Amaral mostra que 25 anos de experiência em SST puderam ganhar uma dimensão nova quando foram conectados ao Direito aplicado, à estratégia e a ferramentas como a IA.

Nem sempre precisamos mudar completamente de caminho para avançar. Em muitos casos, precisamos ampliar a visão, conectar conhecimentos e descobrir como usar melhor aquilo que já temos.

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Sua próxima conquista profissional pode começar com uma nova perspectiva.

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